Hipertensão Arterial


Dr. Carlos Manoel de Castro Monteiro MD.PhD

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) conhecida popularmente como pressão alta é uma das doenças com maior prevalência no mundo moderno e é caracterizada pelo aumento da pressão arterial, aferida com esfigmomanômetro (aparelho de pressão), tendo como causas a hereditariedade, a obesidade, o sedentarismo, o alcoolismo, o estresse, o fumo e outras causas. A sua incidência aumenta com a idade, mas também pode ocorrer na juventude. Considera-se hipertenso o indivíduo que mantém uma pressão arterial acima de 140 por 90 mmHg ou 14x9, durante seguidos exames, de acordo com o protocolo médico. Ou seja, uma única medida de pressão não é suficiente para determinar a patologia. A situação 14x9 inspira cuidados e atenção médica pelo risco cardiovascular. Pressões arteriais elevadas provocam alterações nos vasos sanguíneos e na musculatura do coração. Pode ocorrer hipertrofia do ventrículo esquerdo, acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, morte súbita, insuficiências renal e cardíacas, etc. A prevalência da hipertensão arterial no Brasil foi levantada por amostras em algumas cidades. Estes estudos mostraram uma variação de 22,3% a 43,9% de indivíduos hipertensos conforme a cidade considerada. Pode estimar assim que entre uma a duas pessoas a cada cinco são hipertensas. Em 2004, 35% da população brasileira acima de 40 anos estava hipertensa. Acredita-se que 20% da população mundial apresente o problema. A proporção de óbitos por doença cardiovascular no Brasil em 2007, segundo dados do DATASUS, foi de 29,4%. Dentro deste grupo, a distribuição por doença foi como abaixo:

Óbitos por Doenças Cardiovasculares (29,4% do total) Percentual
Acidente vascular cerebral 31,4%
Doença isquêmica do coração 30,0%
Hipertensão arterial 12,8%
Outras 25,1%


São fatores de risco conhecidos para hipertensão:

  • Idade: Aumenta o risco com o aumento da idade.
  • Sexo: Até os cinquenta anos, mais homens que mulheres desenvolvem hipertensão. Após os cinquenta anos, mais mulheres que homens desenvolvem a doença.
  • Etnia: Mulheres afrodescendentes têm risco maior de hipertensão que mulheres caucasianas.
  • Nível socioeconômico: Classes de menor nível sócio-econômico têm maior chance de desenvolver hipertensão.
  • Consumo de sal: Quanto maior o consumo de sal (sódio), maior o risco da doença.
  • Consumo de álcool: O consumo elevado está associado a aumento de risco. O consumo moderado e leve tem efeito controverso, não homogêneo para todas as pessoas.
  • Obesidade: A presença de obesidade aumenta o risco de hipertensão.
  • Sedentarismo: O baixo nível de atividade física aumenta o risco da doença.


Diagnóstico
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Um esfigmomanômetro e um estetoscópio, equipamentos utilizados para aferir a pressão arterial. A medida da pressão arterial deve ser realizada apenas com aparelhos confiáveis.

Sintomatologia

A hipertensão arterial é considerada uma doença silenciosa, pois na maioria dos casos não são observados quaisquer sintomas no paciente. Quando estes ocorrem, são vagos e comuns a outras doenças, tais como dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjôos, falta de ar e sangramentos nasais. Esta falta de sintomas pode fazer com que o paciente esqueça de tomar o seu medicamento ou até mesmo questione a sua necessidade, o que leva a grande número de complicações.

Classificação

A finalidade de classificações de pressão arterial é determinar grupos de pacientes que tenham características comuns, quer em termos de diagnóstico, de prognóstico ou de tratamento. Esta classificações são embasadas em dados científicos, mas são em certo grau arbitrárias. Numerosas sociedades científicas tem suas classificações próprias.

Classificação das Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Categoria PA diastólica (mmHg) PA sistólica (mmHg)
Pressão ótima < 80 <120
Pressão normal < 85 <130
Pressão limítrofe 85-89 130-139
Hipertensão estágio 1 90-99 140-159
Hipertensão estágio 2 100-109 160-179
Hipertensão estágio 3 ≥110 ≥180
Hipertensão sistólica isolada < 90 ≥140

Complicações

Principais complicações da hipertensão arterial
A hipertensão arterial é um dos fatores envolvidos em uma série de doenças. Entre outras, as doenças abaixo são provocadas, antecipadas ou agravadas pela hipertensão arterial.

  • Cardíaca - Angina de peito, Infarto Agudo do Miocárdio, Cardiopatia hipertensiva e Insuficiência cardíaca.
  • Cerebral - Acidente vascular cerebral, Demência vascular.
  • Renal - Nefropatia hipertensiva e Insuficiência renal.
  • Ocular - Retinopatia hipertensiva.

Causas

  1. Hipertensão arterial primária. Na grande maioria dos casos a Hipertensão Arterial é considerada essencial, isto é, ela é uma doença por si mesma. Nenhum dos mecanismos que geram a hipertensão é isoladamente muito mais influente que os demais.
  2. Hipertensão arterial secundária.Ocorre quando um determinado fator causal predomina sobre os demais, embora os outros possam estar presentes.
  3. Hipertensão por nefropatias.
  4. Hipertensão renovascular. O fator causal principal é isquemia renal, em geral provocada por estreitamento da artéria renal, unilateral ou bilateral.
  5. Hipertensão relacionada a gestação. Situações de hipertensão arterial durante e/ou devido à gestação.
  6. Hipertensão medicamentosa. Situações de hipertensão arterial desencadeadas ou exacerbadas por uso de medicamentos.
  7. Corticóides
  8. Anti-inflamatórios não esteróides
  9. Drogas de ação sobre o sistema nervoso simpático
  10. Antidepressivos
  11. Anestésicos e Narcóticos
  12. Outras drogas
  13. Hipertensão por endocrinopatias. Situações de hipertensão arterial desencadeadas ou pioradas por doenças do sistema endócrino, envolvendo um ou mais hormônios.
  14. Acromegalia. Doença causada por produção excessiva de hormônio do crescimento em adultos.
  15. Hipertireodismo. Doença causada por excesso de hormônios tireoideanos (T3 - tri-iodotironina e T4 - tiroxina) circulantes.
  16. Hipotireodismo. Doença causada por deficiência de hormônios tireoideanos circulante.
  17. Hiperparatiroidismo. Doença causada por excesso de paratormônio circulante.
  18. Síndrome de Cushing. Doença causada por excesso de glicocorticóides circulantes
  19. Hiperaldosteronismo primario. Doença causada por produção inapropriadamente elevada de aldosterona pela glândula supra-renal.
  20. Feocromocitoma. Tumor, em geral supra-renal, produtor de catecolaminas.
  21. Miscelânea.
  22. Apneia do sono - Doença por descontrole dos mecanismos respiratórios do sono, comhipóxia intermitente.
  23. Outras causas.

Prevenção

A prevenção é o processo de evitar o surgimento de uma situação. Como a pressão arterial tende a aumentar com a idade com as alterações vasculares que acompanham o envelhecimento, pode-se questionar se a hipertensão arterial é prevenível. Mas existem medidas que podem postergar este aumento de pressão. Estas medidas devem ser chamadas de medidas preventivas, mesmo que não impeçam, mas retardem o surgimento da hipertensão arterial. Neste contexto, são medidas preventivas:

  • Alimentação saudável.
  • Consumo controlado de sódio.
  • Consumo controlado de alcool, combate ao alcoolismo.
  • Aumento do consumo de alimentos ricos em potássio.
  • Combate ao sedentarismo.
  • Combate ao tabagismo.

Em algumas situações específicas, com alto risco de doença cardiovascular, pode ser considerado o uso de medicamentos para a prevenção da Hipertensão.

Tratamento

Embora não exista cura para a Hipertensão Arterial , é possível um controle eficaz, baseado quer na reformulação de hábitos de vida, quer em medicação, permitindo ao paciente uma melhor qualidade de vida.

Medidas não farmacológicas

Certas medidas não relacionadas a medicamentos são úteis no manejo da Hipertensão Arterial, tais como

  • Moderação da ingestão de sal (Cloreto de sódio) e álcool (Etanol).
  • Aumento na ingestão de alimentos ricos em potássio.
  • Prática regular de atividade física.
  • Fomentar práticas de gestão do stress;
  • Manutenção do peso ideal (IMC entre 20 e 25 kg/m²).
  • Minimizar o uso de medicamentos que possam elevar a pressão arterial, como anticoncepcionais orais e anti-inflamatórios.

Medidas farmacológicas

Nos casos que necessitam de medicamentos, são utilizadas várias classes de fármacos, isolados ou associados.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre (Artigo modificado).

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