Hipercolesterolemia familiar


Dr. Carlos Manoel de Castro Monteiro MD.PhD

A hipercolesterolemia atualmente é reconhecida como um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular (Grundy et al,1999), sendo que o LDL representa elemento fundamental na aterogênese (Ross et al,1976). O modelo da hipercolesterolemia avançada em seres humanos pode ser traduzido na doença hipercolesterolemia familiar (HF). No final do século XIX foi feita uma das primeiras descrições da HF: uma criança que desde os 3 anos de idade apresentava diversos xantomas pelo corpo e que morreu subitamente aos 11 anos. Sua necropsia revelou extensos depósitos de lesões xantomatosas na aorta e grande artérias, incluíndo as coronárias (Steinberg et al,2005).

Dentro das síndromes das hipercolesterolemias familiares autossômicas dominantes podem destacar 3 principais etiologias: a clássica HF por defeitos no receptor de LDL, o defeito familiar da apolipoproteína B e a HF3 por defeitos na proteína convertase subtilisina/Kexina tipo 9 (PCSK9) (Varret et al,2008). O fenótipo e a história dos três defeitos são muito similares, sendo que do ponto de vista clínico os pacientes podem ser agrupados dentro do diagnóstico da HF (Varret et al,2008).Classicamente a HF foi descrita como doença de herança autossômica dominante (Rader et al,2003), caracterizada por elevação do colesterol total e do LDL-colesterol (LDL-c),causada por mutações no gene que codifica o receptor de LDL.Trata-se da primeira doença genética do metabolismo lipídica a ser caracterizada clínica e molecurlarmente (Steinberg et al,2005). No final da década de 70, os primeiros estudos de Michael S. Brown e Joseph L. Goldstein (Brown et al, 1986) descobriu o receptor de LDL e a patogênese da HF, ganhando o Prêmio Nobel.

As primeiras descrições de herdabilidade da HF foram feitas por Khachadurian (1994) em familiares de HF libaneses. Demonstrou que indivíduos de famílias afetadas poderiam apresentar três tipos de perfil lipídico:colesterol aumentado em quatro vezes o normal,colesterol aumentado em duas vezes o normal ou colesterol normal. Deste achado surgiram as evidências da forma homozigótica e heterozigótica da doença. Estima-se que a freqüência de heterozigotos seja de 1:500 na maioria dos países e de que existiam 10.000.000 de pessoas portadoras de HF no mundo (Civieira et al,2004).

Um dos aspectos de grande importância nos pacientes com HF é uma maior prevalência de aterosclerose subclínica tanto carotídea como coronária, quando comparados a indivíduos normolipidêmicos.

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